Medicina em Guarulhos já!

Alunos do Cursinho Pimentas em Protesto por curso de medicina.

             Por onde passamos escutamos queixas quanto à situação da saúde em Guarulhos, nos pontos de ônibus, filas do Supermercado, filas dos bancos e em um sem número de lugares.

              A reação mais natural é criticar a Prefeitura, os políticos, o Diretor do Hospital ou da UBS, brigar com o Atendente SUS, mas esquecemos de pensar, qual será de fato a origem desse problema? Será que faltam médicos porque a Prefeitura não os contrata, ou porque não existem profissionais suficientes para ocupar as vagas nos hospitais e postos de saúde da periferia?

            Se observarmos a questão com mais atenção, e quando digo com mais atenção me refiro a pensar na questão dos médicos desde seu ingresso na Universidade, perceberemos que os cursos de Medicina em universidades privadas são extremamente caros, o que os torna inacessível a grande maioria das pessoas, ao passo que as universidades públicas oferecem um número muito reduzido de vagas, que são preenchidas, em sua maioria, por pessoas com renda mais elevada, uma vez que podem pagar cursinhos preparatórios e dedicar-se exclusivamente ao estudo.

            Todos esses aspectos fazem com que o número de médicos formados seja pequeno, se contarmos a parcela desses médicos que irão abrir um consultório e atender a convênios e particulares, mais a parcela dos que se dedicarão a pesquisas e novos tratamentos e aulas em Universidades, então o número dos que atenderão no SUS é ainda menor.

           E qual a saída pra este problema? O Ver. Prof. Rômulo e o Cursinho Comunitário Pimentas defendem a criação de cursos da área da saúde na Unifesp Guarulhos, entre eles o Curso de Medicina, ou mesmo a criação de outra universidade pública que atenda esse demanda. A proximidade dos estudantes de medicina com a periferia atendendo em hospitais como o Hospital Pimentas- Bonsucesso,  possibilitaria a esses futuros médicos a oportunidade de conhecer a realidade da periferia.

            É fato que o problema passa ainda pela democratização do acesso a universidade, mas os primeiros passos são, claramente, a organização popular, a luta popular e o enfrentamento a grupos que defendam interesses individuais, em detrimento das lutas coletivas por uma saúde preventiva e de qualidade.




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3 respostas to “Medicina em Guarulhos já!”

  1. Renato Ferreira de Andrade disse:

    Há uma forma, ao meu ver muito necessária para se fortalecer o SUS: o Governo (nas suas três esferas de Poder) deveria ter uma política fiscal (implantada aos poucos, é claro) que fosse aumentando paulatinamente os impostos sobre os atendimentos médicos particulares, deveria aumentar em muito a carga tributária sobre os Planos de Saúde, até acabar com os Planos de Saúde meia boca, que tem um péssimo atendimento – e claro, ir transferindo esses recursos para o SUS. Qual seria a consequencia? A demada na rede privada iria diminuir cada vez mais, ficando mesmo só para quem de fato tem muito dinheiro. E os médicos seriam obrigados a trabalharem no SUS.

  2. Renato Ferreira de Andrade disse:

    Citando duas, das várias contradições existentes no sistema de financiamento da Saúde no Brasil:

    1º Os Governos, ao invés de fazerem algo na linha que eu citei no comentário anterior, têm em muitos casos uma política de isenção fiscal para planos de saúde, hospitais particulares etc.

    2º Uma boa parte dos atendimentos particulares no Brasil é financiada pelo próprio Governo Federal, ou seja, pelo povo mais pobre que é mais afetado pelo pagamento de impostos e só tem acesso ao SUS. Isso acontece com os descontos no Imposto de Renda a que tem direito as pessoas que utilizam o serviço privado de saúde.

  3. O Ver. Prof. Rômulo, acaba de falar na Plenária sobre a necessidade de democratização do Curso de Medicina.

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