Guarulhos | Conferência de Cultura

Por Darlan Cavalcanti – Nos dias 5 e 6 de julho, a Secretaria de Cultura e o Conselho de Cultura de Guarulhos realizarão a 4ª Conferência de Cultura da cidade. Já é sabido que as conferências são espaços de articulação de ideias e troca de experiências, a de cultura não será diferente. Artistas, produtores, trabalhadores, entidades, pensadores e consumidores culturais se reunirão com o Poder Público para debater o desenvolvimento de políticas culturais para a Guarulhos.

A Conferência, embora exista por legislação própria, é uma etapa da Conferência Nacional de Cultura, que chega a sua 3ª edição, com o tema: UMA POLÍTICA DE ESTADO PARA TODOS. O centro das atenções da conferências municipais, estaduais e nacional, será o desenvolvimento de políticas que ultrapassem os governos, que sejam sistematizadas e planejadas, e que tenham grande participação social, principalmente na elaboração, acompanhamento e avaliação das mesmas.

Guarulhos ainda não possui Plano e Sistema de Cultura, por isso o tema se faz ainda mais importante para a cidade. O momento será primordial para que a Secretaria de Cultura dialogue com a sociedade civil e, em conjunto com a mesma, elabore ou atualize os instrumentos, instâncias e órgãos necessários para a aplicação de uma política de estado, que permita ações de longo prazo, com pouca influência das conveniências governamentais, mas que permita uma constante avaliação e adequação à dinâmica cultural do município.

Evidente que muita coisa deve ser feita para o desenvolvimento da cultura na cidade, mas é preciso elencar prioridades. A falta de equipamentos públicos com  estrutura para circulação de atividades culturais (CEUs, os teatros e as bibliotecas), não é mais um grande problema no município. O que ainda falta, é um programa para uma consistente circulação da produção cultural nestes espaços. Embora seja sempre um motivo de reclamação nos espaços de reivindicações, os instrumentos de financiamento para a produção cultural existem, mas, no meu ponto de vista, existe uma defasagem relacionada à produção cultural na cidade. A má qualidade dos projetos escritos para receberem o apoio do funcultura, salvo poucas exceções, e a baixa procura de associações culturais para receber repasses que os potencializem enquanto pontos de cultura, mostra que o Poder Público precisa trabalhar na capacitação e no estímulo à produção cultural.

Porém, o debate não se esgota nessas superficiais constatações. As políticas de garantia do acesso à fruição cultural e as políticas de estímulo à economia criativa, também são pontos fundamentais para o crescimento do cenário cultural na cidade. Uma importante ferramenta para estas ações, e para a qual a cidade precisa se preparar, é o vale-cultura que, em breve, será uma realidade, conforme comentei neste post.

Enfim, a oportunidade para este e outros debates culturais está aí. Basta se inscrever. E eu, como consumidor cultural, cientista social e funcionário da Secretaria de Cultura, não perderei por nada.




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