A mentira da Ditadura Militar no Brasil e suas sequelas sociais

ditadura1A liberdade é algo natural ao ser humano. Lutamos todos os dias para nos sentirmos donos dos nossos destinos. O desejo de liberdade é algo quase que instintivo. Tanto que uma das punições mais graves para aqueles que comentem crimes é a privação da liberdade. O homem e a mulher sem liberdade se tornam pequenos, frágeis. A ditadura militar durou do brasileiro durante mais de 20 anos um pedaço de sua essência. Sua liberdade!

Com o falso pretexto de “salvar” a democracia, a ditadura militar do Brasil tirou a liberdade de seu povo. O golpe militar de 1964 interrompeu um período de intensos avanços sociais no Brasil. O então presidente João Goulart na sua gestão enquanto presidente – 1961 a 1964 – estava realizando mudanças importantes como a reforma agrária, a  expansão do voto para os analfabetos e o controle sobre a remessa de lucros para as multinacionais. Diante do contexto da guerra fria a elite conservadora do país apoiou e incentivou o golpe dos militares em 01 de abril de 1964.

Para aqueles que desejam a voltada da ditadura e que saem gritando pelas redes sociais na internet este desejo, o Professor Rômulo, historiador e atualmente vereador, manda um recado. “Se estivéssemos na ditadura vocês não teriam nem o direito de estar discutindo este tema tão abertamente como acontece hoje na internet”.

O Professor Rômulo ainda aponta que a ditadura nasceu de uma elite brasileira conservadora, e ser conservador, como o nome já diz, é desejar que as coisas permaneçam como estão: os pobres, pobres. E os ricos, ricos. Mulheres como donas do lar. Negros como braçais, e brancos como patrões. Não existe igualdade de diretos em uma sociedade ditatorial. “É um absurdo o ser humano não poder lutar livremente pelo que é seu de direito. Hoje ainda existe muita desigualdade, mas o direito de lutar e transforma tudo isso existe. Na ditadura, além de você ser um excluído socialmente, você ainda tinha que ficar quieto e aceitar. E o que é mais absurdo ainda é ver pessoas hoje pedindo a volta daquele período. Essas pessoas não estão nem um pouco preocupadas com os mais pobres, os mais carentes. Porque estes sim ficarão cada vez mais nas margens sociais”, diz o professo Rômulo.

Heber Rocha, mestre em Gestão de Políticas Públicas e membro do núcleo Carlos Marighella, nos aponta o quanto impactou o período militar em nosso história. “Este é um dos períodos mais obscuros de nossa história, do cancelamento dos direitos civis e políticos ao aumento da desigualdade social. Os 20 anos de militares no poder no Brasil não somente interrompeu uma agenda progressista com o Jango (João Gourlart) como deixou sequelas graves em nossa sociedade até os dias atuais, sendo o maior exemplo disso a persistente estrutura, disciplina e lógica militar de nossas polícias. Hoje a cultura organizacional da corporação da Polícia no Brasil é a mesma do regime militar (quando ela foi criada para perseguir comunistas). Portanto, relembrar os momentos da ditadura militar no Brasil é pensar sobretudo na importância da democracia e de suas instituições para o desenvolvimento da nação. Aos setores progressistas da sociedade fica sempre o eterno desafio de continuar tensionando para a radicalização dos direitos em nossa sociedade para assim acabar com as sequelas do regime militar que duram até os dias atuais.”

A ditadura militar é uma enorme cicatriz no corpo da história do Brasil. E não adianta escondê-la cobrindo com roupas ou tentar apagá-la com cirurgias. Ele deve ficar bem exposta. Clara e iluminada aos olhos de todos para que nunca mais uma idiotice tão grande como essa seja feita. Como nas palavras do poeta e filósofo espanhol, George Santayana, “o povo que não conhece sua história corre o risco de repetir seus erros”.

 




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